Re-reestruturar o Climáximo em estado de emergência climática

No último ano, fizemos um desafio a nós próprias e decidimos “reestruturar a nossa organização interna para aumentar o compromisso de cada uma de nós, para criar capacidade autónoma de cada organizadora no colectivo, e com isso construir ciclos de mobilização mais frequentes, mais fortes e mais diversos”. O nosso objectivo foi desenvolver organizadoras que conseguissem mobilizar as pessoas para as suas acções sem depender das mesmas pessoas do colectivo. Foi uma ambição de capacitação e crescimento.

Estivemos a organizar simultaneamente a acção Vamos Juntas, a Marcha Mundial pela Justiça Climática, a coordenação do Acordo de Glasgow, a conferência da campanha Global Climate Jobs, os V Encontros Internacionais Ecossocialistas, a Grande Caravana pela Justiça Climática e o Acampamento 1.5, enquanto estivemos também activas na campanha Empregos para o Clima, na defesa da ciclovia da Avenida Almirante Reis e inúmeras outras acções e iniciativas. Ao mesmo tempo organizámos muitas formações, webinars, reuniões e debates.

Tomámos um risco organizacional. Foi uma grande experiência e aprendizagem.

1) Reparámos que esta estratégia reduziu a coesão no colectivo, em vários sentidos:

    • Como estivemos a olhar para fora para mobilizar novas pessoas, as acções não comunicaram bem entre si e não alimentaram uma a outra. No entanto, as novas pessoas que entraram no colectivo via uma das acções não conseguiam integrar-se nos processos.

    • O fluxo das novas pessoas nas reuniões introdutórias é sempre limitado e não lidámos bem com o recrutamento: as várias acções acabaram por “concorrer” pelas mesmas pessoas, o que causou frustrações nas coordenadoras e nas próprias pessoas.

2) Por outro lado, as acções anteriores tinham criado uma certa expectativa para as novas acções (no colectivo, no público, e nas próprias coordenadoras), mas a nossa decisão foi dividir esta capacidade para desafiar-nos a nós. Assim, apesar das acções em si terem toda a nossa participação, não conseguimos repetir o mesmo processo de “build-up” nas preparações por falta de capacidade.

3) Reconhecemos também que muitas de nós não estávamos à altura do desafio, e ficámos assustadas com a complexidade da tarefa. Como toda a gente já se tinha separado em acções, falhámos em acompanhar as novas organizadoras e elas próprias também não conseguiram pedir apoio sabendo que toda a gente estava sobrecarregada com a sua acção. Isto foi corrigido nos últimos meses com o Acampamento 1.5, quando tivemos mais disponibilidade.

Vamos suspender esta medida nos próximos tempos.

Não temos qualquer receio da nossa experiência. Conseguimos imensas coisas, e criámos uma imensa capacidade política colectiva que seria impossível pelos caminhos organizativos existentes.

Vamos agora voltar a cuidar duma a outra, ré-criar um sentido de colectivo, e construir planos coerentes e coesos.


Imagem: parte da pintura “Manif” de Mathieu Colloghan

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